Cicatriz

Como a cicatrização adequada influencia no resultado final de uma cirurgia?

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A cicatrização, ou cura de feridas, é um processo natural que ocorre em três etapas distintas, cada uma desempenhando papéis cruciais para o resultado final de uma intervenção cirúrgica:

  • Inflamação: Esta é a primeira fase que dura de 1 a 4 dias, marcada pela secreção, edema, vermelhidão e dor. É uma resposta imediata do organismo à lesão, preparando o terreno para os reparos necessários.

  • Proliferação: Na segunda etapa, que se estende de 5 a 20 dias, ocorre a formação de tecido granuloso, também conhecido como tecido de granulação. Essa fase é fundamental para que as bordas da ferida comecem a se unir e é caracterizada pela reparação das células e dos vasos sanguíneos.

  • Remodelação: O estágio final pode durar meses, variando conforme o estado da ferida e cuidados aplicados. Nesta fase, o tecido cicatricial formado anteriormente é reestruturado e fortalecido, o que define a aparência final da cicatriz.

O modo como a cicatrização ocorre é classificado em dois tipos:

  • Primária: Comum em feridas cirúrgicas pequenas e com bordas bem aproximadas.
  • Secundária: Envolve perda de tecido e é mais complexa, exigindo maior tempo e cuidado para cicatrizar.

Fatores importantes que podem influenciar positivamente a cicatrização incluem:

  • Nutrição apropriada: Uma dieta balanceada, rica em vitaminas e minerais, apoia significativamente o processo cicatricial.
  • Hidratação: Manter-se bem hidratado é essencial para a regeneração dos tecidos.

É essencial considerar também que a cicatrização pode ser afetada por uma série de fatores locais e sistêmicos:

  • Fatores Locais: Vascularização adequada do local da ferida, nível de contaminação, e técnica de tratamento empregada.
  • Fatores Sistêmicos: Idade do paciente, hiperatividade, oxigenação, perfusão sanguínea, nutrição adequada, presença de diabetes e uso de certos medicamentos.

Sobre suturas e a remoção delas pós-cirurgia:

  • Suturas Simples: Geralmente devem ser removidas entre o 10º e o 15º dia após a cirurgia.
  • Suturas Intradermais Contínuas: Para fios não absorvíveis, o ideal é que permaneçam por até 20 dias.
  • Condições Adversas: Em tais situações, pode ser necessário postergar a remoção das suturas para entre o 20º e 25º dia pós-operatório.

Todas essas etapas e cuidados são fundamentais para que a cicatriz resultante de uma cirurgia seja a menos perceptível possível e que a função do tecido atingido seja plenamente restabelecida. Desta forma, torna-se evidente a importância de seguir as orientações médicas e cuidar adequadamente da ferida cicatrizando, garantindo assim um melhor prognóstico para o paciente.

Tipos de pontos para fechamento de pele

 

Resultado estético após sutura com pontos intradérmicos

Na seleção do tipo de ponto para o fechamento de pele em cirurgias, consideram-se dois tipos principais:

  • Pontos Contínuos: Estes incluem:

    • Chuleio Simples: Muito usado por sua rapidez e eficácia em fechar grandes extensões de tecido.
    • Chuleio Ancorado: Geralmente escolhido para dar mais segurança no fechamento de áreas de tensão.
    • Pontos Intradérmicos: Proporcionam resultados estéticos superiores, muito utilizados em cirurgia plástica e suturas faciais com baixa tensão.
  • Pontos Discontínuos: Este grupo contém:

    • Ponto Simples: Amplamente usado em emergências para aproximação rápida da ferida.
    • Ponto Invertido Simples: Previnem a inversão das bordas da pele para um acabamento mais liso.
    • Donatti ou U Vertical e U Horizontal ou Colchoeiro: Usados para distribuir melhor a tensão na pele.
    • Ponto em X: Cria alta tensão e é geralmente escolhido para hemostasia em áreas como o couro cabeludo, músculos e aponeuroses.

O material das suturas desempenha um papel crucial na cicatrização e pode ser absorvível ou não absorvível, cada um com usos e características específicas no processo de cicatrização. Por exemplo:

  • Materiais Absorvíveis: Como Vicryl®, PDS II® e V-Loc 180®, são opções que o corpo absorve ao longo do tempo e são usados quando a retirada do fio não é viável.
  • Materiais Não Absorvíveis: Tais como Prolene® e Polycot®, requerem remoção e são geralmente usados para fechar a pele ou em locais onde o fio absorvível não é adequado.

Adicionalmente, pontos adesivos cirúrgicos, como o Sequa Skin Closure, oferecem benefícios na promoção de uma cicatrização acelerada e menos traumática para tecidos. Sua aplicação é vantajosa para fechamento precoce, proporcionando uma técnica de cicatrização não invasiva e pode ser utilizada em conjunto com suturas de pele para feridas maiores.

Finalmente, o propósito do fechamento da ferida determina a intenção da cicatriz:

  • Primeira Intenção: As bordas são aproximadas para cicatrizar.
  • Segunda Intenção: As bordas são mantidas separadas para uma cicatrização espontânea, do nível mais profundo da pele até a epiderme.
  • Terceira ou Intenção Tardia: A ferida é deixada aberta até que as condições locais sejam favoráveis para realizar o fechamento.

É fundamental escolher o tipo adequado de suture, levando em conta os fatores como localização e tensão da ferida, bem como as condições individuais do paciente, para garantir uma cicatrização ótima e minimizar a possibilidade de uma cicatriz inflamada ou retardar o processo de cicatrizando.

Técnicas de fechamento de pele

Ao longo do tempo, as técnicas de fechamento de feridas cirúrgicas sofreram diversas evoluções, desde o uso de materiais naturais como fibras vegetais, tendões animais e até mandíbulas de insetos, até a introdução de métodos de esterilização mais seguros e a industrialização, que possibilitaram o desenvolvimento de materiais sintéticos. Hoje, uma variedade de métodos de sutura e biomateriais são utilizados em cirurgias de cabeça e pescoço, refletindo a contínua inovação no campo da cirurgia.

Especificidades teciduais demandam suturações adequadas, notadamente em cirurgias orais e maxilofaciais que diferem das utilizadas em outros campos da medicina. Devido às características ora afetadas, como a presença de saliva, variações de temperatura, vascularização e funções como mastigação e fonética, o uso de técnicas e materiais previamente selecionados para cada cenário torna-se crucial para o processo de cicatrização.

Os biomateriais utilizados em cirurgias de cabeça e pescoço são essenciais para aplicações médicas e dentárias. As suturas, particularmente, permitem a intervenção no processo de regeneração do tecido mole, promovendo melhores e mais rápidos resultados ao aproximar as bordas dos tecidos moles. Sintéticos ou naturais, os fios de sutura podem ser absorvíveis, que se degradam em contato com os tecidos, ou não absorvíveis, mantendo sua resistência ao longo do tempo. As opções incluem catgut, ácido poliglicólico, poliglactina 910 (Vicryl), polidioxanona (PDS), poliglecaprone (Monocryl), poligliconato, algodão, linho, seda, poliéster (Dacron, Mersilene), poliamida (Nylon), polipropileno (Prolene, Surgilene) e aço (Aciflex).

Além das técnicas tradicionais de sutura, a cola cirúrgica e outros adesivos representam uma inovadora abordagem para o fechamento de feridas cirúrgicas. Os adesivos cirúrgicos, que incluem substâncias como cianoacrilatos e hidrogel de polietilenoglicol, assim como derivados de fibrina e gelatina, são aplicados diretamente à ferida para promover a união das bordas, apoiar a regeneração dos tecidos e alcançar a hemostasia. Esses métodos oferecem vantagens significativas, como a cicatrização acelerada e redução do trauma tecidual, contribuindo para uma cicatrização eficaz e com tendência a resultar em uma cicatriz inflamada menos perceptível ou em um processo de cicatrizando mais controlado.

Fatores que influenciam a cicatrização

A cicatrização é um processo delicado que pode ser influenciado por múltiplos fatores, que são divididos em locais e sistêmicos, ambos desempenhando papéis fundamentais na qualidade da ferida cicatrizando. Dentre os fatores locais, a dimensão e profundidade da ferida, bem como outros elementos podem estar envolvidos:

  • Dimensão e Profundidade da Ferida: Grandes ou profundas exigem mais tempo para cicatrizar.
  • Contaminação e Secreções: Aumentam o risco de infecção e podem retardar a cicatrização.
  • Hematoma, Corpos Estranhos, e Necrose: Podem causar inflamação e afetar negativamente o processo de cicatriz inflamada.
  • Infecção: A presença de bactérias pode comprometer seriamente a integridade da ferida cicatrizando e a formação de um tecido saudável.

Os fatores sistêmicos, que dizem respeito à condição geral do paciente, também são significativos:

  • Idade: A renovação celular diminui com a idade, o que pode atrasar o processo.
  • Nutrição: Aspectos como proteínas e vitaminas A, C e ferro são essenciais para a formação do colágeno e devem ser consumidos em quantidade adequada.
  • Doenças Crônicas: Diabetes, por exemplo, está associado a uma cicatrização mais lenta.
  • Medicamentos: Certos remédios podem influenciar o processo cicatricial.

Entre os fatores sistêmicos, destacam-se ainda:

  • Tabagismo: O fumo provoca redução dos antioxidantes necessários à síntese do colágeno, atrasando a cicatrização.
  • Tratamentos Prévios: Histórico de radioterapia pode afetar a saúde da pele na região tratada.

A cicatrização pode, ocasionalmente, resultar em cicatrizes hipertróficas ou queloide, caracterizadas por uma resposta inflamatória excessiva durante a cicatrizando:

  • Cicatrizes Hipertróficas: São elevadas, mas limitam-se à área da ferida inicial.
  • Queloide: Expandem-se para além das margens da ferida original, refletindo um estado de cicatriz inflamada.

Por fim, é essencial ressaltar a importância dos cuidados pós-operatórios de acordo com as instruções do cirurgião, assegurando uma cicatrização ótima. Seguir essas diretrizes garante que a ferida cicatrizando evolua da melhor maneira, minimizando o risco de cicatrizes visíveis ou complicações.

Cuidados pós-operatórios para uma excelente cicatrização

Para garantir uma cicatrização adequada e melhorar a qualidade da cicatriz pós-operatória, diversos cuidados devem ser adotados independente do tipo de cirurgia. As seguintes orientações são vitais:

  • Limpeza e Proteção da Ferida: É crucial manter a área operada limpa, seca e adequadamente coberta. Isso ajuda a proteger a ferida contra infecções e promove um processo de cicatrização eficaz.
  • Observação de Sinais de Alerta: Acompanhar atentamente qualquer indício de infecção na ferida cirúrgica é essencial. Sinais como pus, sangramento excessivo, febre, dor persistente ou intensa, inchaço aumentado, vermelhidão ou mudanças no odor devem ser comunicados imediatamente ao médico.
  • Manejo da Dor: O controle adequado da dor é importante e deve-se seguir rigorosamente as instruções do cirurgião quanto ao uso de analgésicos.

Se tratando de cirurgias específicas:

  • Após cirurgias cardíacas, reforça-se a necessidade de manter a limpeza da incisão para evitar infecções durante a recuperação em casa.
  • Em cirurgias plásticas, como a abdominoplastia, os pacientes devem manter-se curvados por 2 a 3 semanas para evitar tensão na incisão. Além disso, devem evitar a exposição ao sol, limitar atividades físicas e seguir estritamente as recomendações médicas para resultados ótimos da cicatrização.

Para promover a cicatrização ideial:

  • Repouso Adequado: O descanso é determinante para a correta cicatrização dos tecidos e evita que os pontos se abram. Deve-se observar o período recomendado pelo médico.
  • Evitar Esforços: Durante o período de descanso, é essencial evitar esforços físicos, dirigir, levantar pesos ou praticar atividades físicas até a liberação médica.
  • Gestão de Atividades: Após alguns dias de repouso, é aconselhado que o paciente realize exercícios respiratórios e se movimente para prevenir infecções pulmonares e constipações.

Recomendações adicionais enfatizam a importância da manutenção de uma dieta saudável, higiene, e a comunicação constante com o médico:

  • Alimentação e Nutrição: Uma dieta balanceada rica em vitaminas e minerais suporta a cicatrização, proporcionando os nutrientes necessários para o processo de reparo dos tecidos.
  • Evitar o Fumo: O tabagismo deve ser evitado, pois pode causar problemas de circulação e atrasar o processo de regeneração.
  • Comunicação Com o Médico: Manter um bom canal de comunicação com o profissional de saúde permite compartilhar quaisquer sintomas fora do comum, garantindo intervenção rápida se necessário.

Ainda, técnicas como a drenagem linfática são altamente recomendadas para evitar ou tratar complicações comuns após a cirurgia, oferecendo benefícios de acelerar a recuperação, fortalecer o sistema imunológico, e melhorar a circulação sanguínea, além de aumentar o bem-estar do paciente.

Conclusão

Em resumo, a cicatrização é um processo complexo e vital para o êxito das intervenções cirúrgicas, que depende da correta execução de múltiplas etapas e do manejo adequado de fatores tanto locais quanto sistêmicos. É fundamental que os profissionais de saúde e os pacientes estejam atentos a todas as variáveis envolvidas, desde a escolha do material de sutura até os cuidados pós-operatórios, para assegurar que a ferida cicatrize de maneira eficiente e com o mínimo de sequelas estéticas possíveis.

Reitera-se a importância da adesão às orientações médicas e a implementação de práticas de cuidados com a ferida que promovam uma recuperação ideal, minimizando assim riscos de complicações e garantindo resultados satisfatórios. Futuras pesquisas e inovações na área da cirurgia continuarão a melhorar essas práticas, potencializando a qualidade de vida dos pacientes e a excelência nos resultados cirúrgicos alcançados.

FAQs

  • Quando abordamos os cuidados pós-operatórios em cirurgias plásticas, algumas recomendações são essenciais para uma boa cicatrização:

    • Alimentação leve: consumir refeições de fácil digestão, priorizando frutas, legumes e um bom consumo de água.
    • Evitar o tabaco: o cigarro impede a correta oxigenação e pode retardar o processo de cicatrização.
    • Hidratação da pele: manter a área da cicatriz bem hidratada, evitando qualquer tipo de trauma ou arranhadura.
    • Proteção solar: o cuidado com a exposição ao sol é fundamental para evitar escurecimento ou danos na cicatriz.
    • Consulta médica para aplicação de pomadas: antes de aplicar qualquer substância na cicatriz, é importante a orientação de um especialista.
  • A dieta desempenha um papel crucial no pós-operatório, onde a variedade no consumo de vegetais e proteínas pode acelerar o processo de cicatrização. Tais nutrientes são fundamentais para a reconstituição e fortalecimento dos tecidos lesionados.

  • A observância à higiene correta das feridas cirúrgicas é um ponto crítico após a alta hospitalar, especialmente em casos de cirurgias cardíacas para evitar infecções. No procedimento de reconstrução mamária R24R, por exemplo, um curativo hidrocoloide especial cobre a incisão. Ele diminui a necessidade de limpeza frequente e simplifica o processo de cicatrização.

  • Em relação à rinoplastia, as precauções específicas incluem:

    • Uso de óculos: evitar colocá-los diretamente sobre o nariz durante aproximadamente 45 dias, optando por lentes de contato ou uma ponte removível.
    • Atividade física: retomar rotinas de exercício normalmente após no mínimo 1 mês, respeitando as etapas de recuperação física e cicatrização.
  • A cicatrização de cicatrizes cirúrgicas passa por três estágios principais, sendo eles: inflamatório, proliferativo e de reparação. Durante estes estágios, alguns cuidados são importantes:

    • Hidratação da pele: fundamental para a regeneração celular.
    • Evitar coçar ou arranhar a área, o que pode prejudicar o tecido que está se formando.
    • Proteção contra exposição solar: imprescindível para evitar a formação de uma cicatriz inflamada ou escurecida.
    • Seguir rigorosamente as instruções médicas: crucial para uma ferida cicatrizando adequadamente.
    • Uso de Membracel Porosa: recomendado em casos de deiscência para proteger e auxiliar no processo de cicatrizando.

 

Dr. Sávio Chami

Reconstrução óssea LTDA